Andámos à procura de coelhos nas dunas da Normandia, a ler Beatrix Potter e a ver senhores MacGregor em todas as quintas, de todas as esquinas. A passear em praias desertas, a enfrentar o vento do Norte. A questionar a esperteza de quem fica dentro dos carros, a beber chá quente, a olhar o mar, enquanto passamos a correr, bochechas vermelhas, nariz, sabe-se lá em que estado. A acender lareiras. A aprender a usar a máquina de costura dos anos 30, da bisavó que nunca partiu uma agulha, na sua longa carreira de costureira. A pedir mais detalhes das histórias de família. Mais detalhes e saberes de gestos, que sempre deviamos ter conhecido. Nunca é tarde. Nunca é tarde. E o passado que parece, cada vez, o novo futuro.
A olhar de longe o Monte Saint Michel. A fazer blind tests com os camemberts da região. 60% de matéria gorda.
Fazer caretas a beber Calvados. Pensar onde estarão os meus livros de adolescência de Erich Maria Remarque, que me fazem engolir um copo de Calvados e quase acreditar que é bom. E pedir outro no serão seguinte. A literatura tem efeitos colaterais que nunca se poderão prever com exactidão.
E ainda dizem que a publicidade escondida nos blogues é uma novidade: há que séculos que isso se faz com a literatura :)
ResponderEliminar(se bem que o teu blogue bem que me anda a puxar para dar uma passeata por terras gaulesas)
Séculos e séculos de manipulação.
ResponderEliminar(Vem. Venham.)