Numa outra vida vinha passar as férias grandes a Portugal. Matava a saudade de muitas pessoas, de muitos lugares, do muito mar, de muitas comidas, mas acima de tudo, vinha matar saudades da minha vida de filha. Ser mãe não é algo que me saía naturalmente. O sacrifício, a falta de espontaneidade, a vida com regras e com outros impostos, nada disso sou eu, nem nunca vai ser. Que bom é a maioridade dos filhos.
O francês vinha ter connosco uns dias e era nessa altura que iamos visitar Portugal profundo. Para mim, a única portuguesa, era finalmente uma aventura. Sempre tinha sido mais atraída pelo longínquo e nesses quinze Agostos em que fui uma parisiense, o Gerês parecia-me exótico. Levar os meus filhos e um homem francês ao « meu » país que não conhecia, parecia-me uma tremenda odisseia. E queria documentar e queria partilhar. Mas não queria partilhar com almas que passassem distraídamente pelo blogue. Foi assim que surgiu a ideia do postal ilustrado. Uma correspondência no blogue que emitia directamente à Helena Araújo, em troca de todas as dicas preciosas que ela me enviava da terra que muito bem conhecia. Essa sim a “sua terra”.
É engraçado, gostei de ter vivido essa vida, talvez a minha décima primeira, como gostei de viver quase todas as vidas que tive, mas de nenhuma tenho saudades, a nenhuma queria voltar. Que fiquem as cartas postais para que não as esqueça.
O tema “cartas postais” é o tema do Largo desta semana, e a Rita Maria Dantas enviou já alguns.