6.1.13

Abracemos o caos organizado


Garantiram-nos, à entrada, que os artistas não mordiam. Ainda estávamos a subir as escadas e já sabiamos que tinha sido boa ideia. Tinham sido muitas boas ideias juntas : Termos vindo aqui. Terem ocupado o prédio abandonado.  Terem resistido à ameaça de expulsão. Terem sido apoiados pela câmara municipal. Terem a ideia de apresentarem a arte como algo natural, longe dos formalismos habituais. Terem escolhido serem simpáticos, divertidos a explicarem o seu trabalho e no darem-nos rebuçados, em vez de serem daquele snob que às vezes se encontra por ai. Terem tantas ideias novas de arte, de forma de vida. Terem tanto para nos inspirar.
Aliar arte a audácia dificilmente vai dar mau resultado. Num mundo inteligente.
...
E depois fica difícil não pensar porque não se faz a mesma coisa em Lisboa. Tanto prédio fechado, tantos tijolos no lugar de janelas.
Ocupe-se !
Por exemplo, assim. Vale a pena ver-se o vídeo.

Quando saímos do numero 59, já era de noite - quatro pares de olhos a brilhar. A rua de Rivoli a abarrotar, com gente com sacos daquelas lojas que nos garantem que vamos todos vestir-nos da mesma maneira, neste final de estação.
Quatro pares de pés a avançar, cada um a seu ritmo. Podia tudo ser tão diferente.
Podia. Podia. Pode.

6 comentários:

  1. Será que viste o Tacheles, em Berlim?
    Entretanto foi fechado. O prédio valia uns valentes milhões...
    Mas enquanto durou, foi muito giro.

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    1. Vi, vi. Uma atmosfera muito diferente, esta "squart" (squat+art) é muito mais organizada e, como é apoiada pela câmara de Paris foi toda renovada. A Tacheles era muito interessante pelo espirito, pela historia e pelas convicções. Mesmo se também se vendia tretas que se podem encontrar em todo o lado e muito pouco ou nada artisticas. Nada é perfeito.
      Mas tive muita pena quando soube que os tais milhões falaram mais alto - vai Berlim esquecer-se da sua excelente maxima "poor but sexy ?" espero que não, no que é que vão transformar o prédio ? Num banco ?

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  2. Também vi o tachelles em berlim. E em lisboa, em pequena escala, temos a pensão amor, que tem umas salas com "artistas", e também tens na lx factory alguma coisa semelhante, mas não são prédios ocupados, os residentes pagam rendas.

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    1. O facto de ser ocupado e não patrocinado por uma casa é, a meu ver fundamental, porque permite a um artista que começa, e ainda não tem dinheiro, expor a sua arte. Para além disso, a parte em que podemos falar com os autores das obras e podermos vê-los a trabalhar é a grande inovação. A arte ali mesmo à mão.
      A Pensão Amor é muito comercial, para mim é "apenas" um bar com uma decoração gira. Não conheço a Lxfactory, ha dois anos que vou a Lisboa no Verão e quero ir la e adio sempre, encontro sempre alguém para me dizer mal daquilo e deixo-me influenciar. A ver se este ano vou la para fazer a minha propria ideia.

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  3. Pode, pode ser diferente. Pode-se fazer a diferença, ora vê aqui: http://www.ionline.pt/portugal/anarquistas-uma-escola-okupada-no-coracao-porto
    e vê o filme aqui: http://escoladafontinha.blogspot.pt/

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    1. Conheci esta escola quando houve a carga policial. Pelo que percebi, depois da expulsão não aconteceu mais nada, ficou o edificio ao abandono... mas quem é que vota nesta gente ???

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