23.10.12

A terra


Ainda há pouco menos de dez anos, não sabia o que era uma abobrinha, se um nabo crescia dentro da terra ou em arbustos, ou ao que sabia uma beringela. Muitos nomes de legumes apenas os conheço em francês. Não faço ideia de como se chamam os radis na minha língua materna, por exemplo. Nunca os tinha visto mais magros. Ah !
Tenho muita vergonha desta minha ignorância do essencial. Em troca, tanta informação acumulada que não me serve para nada.
Volta e meia, os meus filhos levam-me ao campo, para que arranque as batatas para a sopa ou que conheça mais uma espécie de maçã. Qualquer dia, também eu vou ter uma favorita.
Não posso assumir toda a minha falta de cultura. Por vezes, dou por mim a correr à frente deles, para ler primeiro uma placa e "ensinar-lhes" de seguida que legume é aquele.
Eles é que carregam com o carrinho, arrancam os legumes, escolhem os frutos.
Quando se diz que aprendemos muito com as crianças, é quase sempre mesmo muito literal.
...
Uma família conhecida contou-nos que recebe, duas vezes por mês, um cabaz com produtos biológicos de uma quinta. Quando é preciso, vão ajudar a família de agricultores e em troca pagam menos do que no mercado. Para não falar de tudo o resto que ganham.
Há listas de espera para este privilégio.

9 comentários:

  1. Gostei de ver! Vais sempre a tempo de aprender, não acredito no ditado "Burro velho não aprende línguas"! :-)

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  2. e viva o quintal dos avós, aqui na parvónia, onde se semeiam e colhem coisas.

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  3. "desta minha ignorância do essencial. Em troca, tanta informação acumulada que não me serve para nada." Eu penso muitas vezes nisso. Uma pessoa não se pode considerar culta nem preparada para a vida se não souber semear batatas.

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  4. Olha a Virgínia está certa, e da maneira que está o país de que nos servem as letras e os números? as batatas não crescem no betão nem no alcatrão, por isso quer.me parecer que o regresso à terra está mais perto do que aquilo que imaginamos :(

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  5. Quero muito aprender mais sobre o que como, o que visto, o que consumo. Gostava de plantar e fazer o que preciso para viver. Mas não me tirem as letras e os numeros, que também não sei viver sem eles. Tirem-me antes da frente informações sobre a vida pessoal de quem não me interessa, ou detalhes de programas de televisão inuteis que nunca irei ver e afins. Toda essa informação de que me livrei ao não ter televisão e que agora entra-me em casa via internet quando me apanha desprevenida.

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  6. quando me disseram que radis eram rabanetes fiquei desiludida! na minha recordaçao os rabanetes eram grandes, nao tinham nada a ver com estes pequenos e delicados que aprendi a cortar em forma de flor para depois comer com sal e manteiga. mas hoje à hora do jantar fazia-me a mesma pergunta relativamente ao "topinambur"... nao sabia como se dizia em português...

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    1. Pois é, deve haver diversas espécies de rabanetes. Para mim são radis, até palavra lusa melhor.

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  7. bem isto hoje está do mais nostálgico. fizeste-me recordar os imensos campos de morangos da áustria, no verão, quando íamos os 5 mais os baldes e alguidares prontos para apanhar, pesar e comer :D

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