4.1.12

Decididamente, não percebi nada

Uns quantos anos a estudar, outros a trabalhar, cinco a ter e tratar de filhos, e agora isto.
Mas quem é que lhe foi meter na cabeça que me dar um estalo com um agora és livre, podes fazer o que queres era uma boa ideia ? Mas alguém me educou para isto ?
Liberdade nas costas. Um peso enorme. Nem imaginam os presos.
O problema, o pior de tudo, é que comecei a pensar. E enquanto pensava, quem é que vivia por mim?
Que estupidez a minha. A nossa. Que nestas coisas nunca me sentirei sozinha.
Tantas cabeçadas na parede. Tantas.
A ver se começo hoje. Agora. Parece-me um momento tão bom como qualquer outro.
Todos tinham razão, todos sabem disto. Mas, e encontrar quem o pratica ?
Não me desejem boa sorte, muito menos que parta uma perna ou me mandem àquele sítio.
O que vier é aceite. A ver se desta vez sou mais esperta.
Quantos anos ainda tenho pela frente ? E agora, começo pelo quê ?
Pronto, lá estou eu...

16 comentários:

  1. e quem não é livre, e quem está presa a um trabalho que já não gosta, e que não pode deixar porque é o seu "ganha-pão", porque tem filhos (e enteados, como eu) e casa para pagar e gosta de ir viajar e ir ao cinema e ter os dentes tratados sem pagar balúrdios?!
    Já sei-já sei, chega de lamechices, atira-me tomates :)

    Tu tens muuuitos anos pela frente (e eu também!), principalmente para continuar a pensar!
    Bom ano!

    ResponderEliminar
  2. Mas SofiAlgarvia, quem não é livre, não é mesmo, MESMO, livre ? Ou anda a ver a coisa com pouca imaginação ? Eu sei que há situações mais fáceis do que outras, mas haverá mesmo, MESMO, situações ou soluções impossíveis ?

    Fiz uma salada ao jantar com os últimos tomates que tinha no frigorífico, nem sequer tomate concentrado tenho. Mas olha que se tivesse um tomate cerise à mão ...

    Excelente ano para ti. Toda a gente acha que não, mas acredito que ainda possa vir a ser uma boa colheita. Assim, só porque sim, apenas porque quero. Querer é poder, ou já é assim ?

    ResponderEliminar
  3. Eu acho que 2012 vai ser um excelente ano, não me farto de dizer isto!
    Adoro tomate cerise :)

    ResponderEliminar
  4. é como eu, cada vez percebo menos...

    ResponderEliminar
  5. ui... foi assim que dei comigo a dizer à médica de familia (que nem da minha familia é, pois a minha familia não tem direito a tais mordomias...) que não sei que se passa comigo, pois nunca vou ao médico para me queixar de coisas concretas, quanto mais das metafísicas desta vida...
    olha, as melhoras é o que te desejo! e Bom Ano já agora!

    ResponderEliminar
  6. só mais uma coisinha:
    passo a vida a perguntar ao Miguel (o outro cá de casa que também não percebe nada) se mudou de canal?!

    ResponderEliminar
  7. Olha, SofiAlgarvia, vou às compras amanhã de manhã, passa por aqui, pode ser que se arranje qualquer coisa.

    Calita, com certeza, que quando chegarmos aos 40 tudo vai ficar mais claro, já falta pouco. Entretanto, é pensar menos e praticar mais, alguma coisa se há-de arranjar.

    Rosário, Tu também, Brutus ? Nesse caso, havemos de trocar receitas...

    ResponderEliminar
  8. Olha, já aceita outra vez os meus comentários!

    Então cá vamos: se eu soubesse para mim, até podia vir cá deixar umas postitas de pescada, mas como não sei, deixo outras...

    Às vezes a pintura é ranhosa, mas a moldura vai safando o efeito geral: lê aquele livro que te interessa, vai às compras, faz um bolo com os miúdos e prepara um jantarzinho mesmo bom e a horas, vê aquele tal filme que te interessa há anos. Não respondes à pergunta sobre o que fazer no resto da tua vida, mas as próximas dez horas vão ser boas.

    Assim como assim, o resto da tua vida é tempo demais para pensar de uma vez só e deixar tudo acertadinho já hoje.

    E depois, se calhar a questão essencial não é "o que vou fazer?" mas "o que me faz feliz?", e essa é uma questão que vai inventar sempre novas respostas.

    Claro que a culpa é da sociedade da abundância. Não fosse isso, e andavas aí a limpar escadas de prédios ou o que fosse preciso, ou o que conseguisses arranjar, sem problemas existenciais...
    Portanto: és uma sortuda, aproveita a falta de pressão para passeares com calma pelos meandros de ti própria, e no entretanto: vai comprar tomate em conserva, dá sempre jeito ter algum em casa!
    ;-)

    ResponderEliminar
  9. "O que me faz feliz" é A questão que me ando a colocar, e o caso complica-se, claro, porque a quero ligar com "O que quero fazer por mim" e ainda com "O que quero fazer com os miudos" e ainda, mas assim mais la para a frente, com o "como ganhar dinheiro no processo".

    Mas numa coisa tens razão (bolas, tens em muitas, mas não vou dar o braço a torcer tão facilmente desta vez) o "resto da vida" é algo pesado, as "proximas 10 horas" gerem-se melhor, assim e so por causa das tosses, hoje vivi simplesmente e até estou feliz, mesmo sem ter feito nada do outro mundo (mas gostava de ter feito).

    Quanto à sociedade da abundância, não podia discordar mais, tivessem todos a mesma abundância e estaria em grandes festanças todos os dias, assim não, ando aqui a sentir culpas porque os outros têm que trabalhar e eu aqui neste vai que não molha, sem aproveitar ao menos para fazer coisas grandiosas.

    Agora que me esqueci do tomate, tenho que admitir que sim e logo hoje, que me apetece caril.

    ResponderEliminar
  10. Não dês o braço a torcer, claro, que ias torcê-lo por pouca coisa!

    Vamos lá pôr as coisas em perspectiva: intervalos de 8 horas são óptimos para gerir o quotidiano. Mas provavelmente precisas da vida toda para encontrar resposta à questão "o que me faz feliz" - não precisas de te apressar.

    Vai lá comprar as latas de conserva - um dia destes, a caminho do supermercado ou assim, a resposta vai nascer de ti como se tivesse estado lá desde sempre. Nem que demore dez ou vinte anos, como com uma pessoa que eu cá sei...
    (ainda só vou em doze! hihihi)

    ResponderEliminar
  11. Ok, ok, percebo, e é verdade que sempre fui ou uma apressadinha ou uma mandriona, o que muito me lixou uns quantos esquemas importantes (apesar de manhosos)mas bons (e isso é importante : serem bons). Agora, pelos vistos até a vida se implica nesta coisa dos ritmos e das pressões. Quem diria...

    E se tu dizes que a resposta pode estar a caminho do supermercado, paro imediatamente com estas modernices de entregas on-line. Conforto, conforto, mas tenho as minhas prioridades.

    (Olha que sempre ouvi dizer que treze é um numero decisivo)

    ResponderEliminar
  12. Sabes que isto da liberdade podemos fazer como em tudo na vida:
    1) Assobiar para o alto e fingir que não reparámos;
    2) Tentar descobrir as (muitas) formas como isso nos complica a vida;
    3) Procurar as contrapartidas;
    4) Eventualmente, desfrutar a coisa.
    Sobrevive-se, seja como for.

    ResponderEliminar
  13. Percebo-te muito bem. Tão bem... Todos os dias (ou quase) dou por mim a perceber que passo demasiado tempo a pensar. Quando dou por isso são horas de ir dormir. Sim, temos de viver, aproveitar, descontrair, valorizar o importante... sim sim, é muito fácil dizer, mas há cabeças que não funcionam assim, por mais que tente. Se aprenderes como se faz conta!

    ResponderEliminar
  14. Sábia Gralha, que nunca te cales. E tudo por ordem crescente de inteligência, para que não nos percamos.

    miss Desing, para te explicar teria que pensar e a ordem é de não o fazer em demasia. Tudo é uma questão de hábito, lembro-me de em tempos idos ter feito Yoga e temer aquela parte da meditação, não pensar em nada. O truque do mestre era concentrarmo-nos numa coisa, ele sugeria uma laranja, fechar os olhos e visualizar uma laranja e assim disciplinar o cérebro. Visualizei todas as laranjas, clementinas e sumos naturais que possam imaginar (sem adoçante), mas já foi há muito tempo, tudo se perdeu. Procuro agora outro anti-distração. E há tantos. Como escolher ? Lá estou eu ...

    ResponderEliminar

Pessoas

Nomadas e sedentarios