Sempre gostei de mapas, globos e atlas. Lembro-me de um livro, que havia em casa dos meus pais, com as montanhas e os rios, sem as fronteiras artificiais que os homens tanto gostam e tantos problemas nos causam. Os mapas sempre foram um convite à viagem platónica. Fui muito teórica na adolescência, com os amores e com as viagens. De fora, nunca ninguém imaginaria como fui feliz e completa.
Só em adulta comecei a namorar e a viajar realmente, com as zangas e os atrasos que isso implica.
Tenho pensado muito em geografia por estes dias, mas de uma forma diferente do habitual. Não tanto com o sonho de conhecer novos territórios, mas com o pesadelo de ter de fugir. Tenho um filho que vai ser maior no final do ano, idade do serviço obrigatório que o presidente do país dele quer instaurar novamente. E eu olho para o mapa. Para onde vou fugir para que o meu filho, que nunca andou em lutas no recreio da escola, não tenha que matar ou ser morto?
Gostaria de acabar de outra forma, mas estamos em Março de 2026.
Este tema faz parte do colectivo Largo. Fui a primeira a acordar, já virei acrescentar os links devidos.
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