Num abrir e fechar de olhos tornei-me obsoleta.
Não sei escrever no substack, nem sequer sei como é que isto se escreve, não sei fazer perguntas ao ChatGPT, não sei pagar impostos pelo portal, quando entro numa sala cheia de computadores o sistema vai sempre abaixo como se eu do uma espécie de anticristo da intranet, não sei tratar de nenhum documento importante para a vida adulta, não sei viver a vida adulta.
Há uns dias, disse a uma amiga que nunca tinha viajado sozinha, nunca tinha ido a uma festa sozinha, enumerei uma lista de coisas que nunca tinha feito. A sua resposta foi dada com entusiasmo e optimismo: “podes sempre começar, és livre”. E aqui entra um dos grande desentendimentos da minha vida. Quando eu digo que nunca fiz algo que toda ou muita gente faz, não está implícito, mesmo que admito que pareça e compreendo a confusão, que o quero fazer. Não quero na maior parte das vezes. Pelo menos, não essas coisas. Ou pelo menos, não agora. Talvez não nunca.
Há processos e caminhos, que por muito úteis que possam ser, não me são atrativos. O útil não me interessa por ali além. Não me apetece aprender tudo o que me aparece à frente. Quero mesmo ser muito burra em muito domínios, a minha curiosidade não é ilimitada e a minha vontade de progresso não é gigantesca. Talvez isto faça de mim uma pessoa com mente fechada. Pelo menos, em certas paragens, faz de certeza. Mas há sítios que não quero ir. Há vidas que não quero viver. Portas fecham-se com toda a certeza, mas eu sempre me interessei mais por janelas e rachas nas paredes.
Gostava muito de saber mais sobre cogumelos, por exemplo, mas não quero que seja um computador a explicar-me, prefiro estar em contacto com o sujeito directamente. Prefiro experimentar. Eu gosto mesmo é de poder errar. E de estar muito enganada. E de me contradizer. E não ter certeza de nada.
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