23.1.26

Sair da bolha

Só uma história bem contada pode salvar o mundo. 
Podemos ser muito bons a fazer contas, podemos ver todos os noticiários e conhecer todos os factos, podemos até andar numa escola com colegas de carteira com realidades radicalmente diferentes da nossa. Não perceberemos nada se ninguém nos contar bem uma história. 
Tudo o resto é acessório, tudo o resto é inútil, tudo o resto é vão.
Dizer que a só a arte nos pode salvar, pode parecer demasiado bonito, mas é a mais pura realidade. 
Temos de sair da nossa bolha para compreendermos o mundo em que vivemos. A vida que temos. A realidade que nos rodeia.
Arriscamo-nos a morrer e a sair desta mais rica experiência sem ter percebido nada. Ou muito pouco.

Sair da nossa bolha e entrar na bolha dos outros. 

Lembro-me de uma banda desenhada sobre a vida de um sírio que se viu obrigado a fugir do seu país. Até lá tinha visto notícias mal dadas, apressadas, como o fazem todos os noticiários. Notícias que nos entram no cérebro, factos, números, imagens. Mas foi com a “Odisseia de Akim” que me vi na pele de um ser-humano como eu, que perdeu tudo, como também eu posso perder, que teve de fugir, que se viu ser  desumanizado, a ser tratado como se fosse uma coisa indesejável. Um ser humano como eu que um dia viu a sua vida virar do avesso. 
A humanidade precisa de um reset.
O jornalismo tem de ser repensado. As redes sociais nem se fala. O algoritmo tratado como a ferramenta perigosa que pode ser. 
O homem tem de ser humano. O humano tem de habitar o Homem. Tudo o resto é acessório. Tudo o resto não é válido. Tudo o resto é decoração.
O que estamos a fazer se só sentimos as nossas dores?
Que aventura incompleta é esta,  se só virmos o mundo com os nossos olhos? Caminharmos apenas com os nossos próprios sapatos?

Esta semana, o desafio do Largo foi aceite por:


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