13.1.14

Cinco ao almoço. E eu, e eu, e eu.

Dei um jeito à casa, coloquei na mesa o melhor serviço, guardanapos de tecido, copos de vidro, mas coloridos, três tipos de sumo. No menu, uma fusão entre as almôndegas com massa, pedidas, e o equilibrado, pequena variação da minha autoria. Blherck para o equilibrado, detestam verde, como previsto. Comeram, beberam, fizeram o ritual da galette des rois com dois debaixo da mesa, falaram dos clássicos, do ultimo filme no cinema, de desgraças e de sorte, levantaram-se varias vezes da mesa antes do final da refeição. A criatividade explodia e, é verdade que o piano ali mesmo à mão de semear não deixa gente assim, indiferente. De seguida quiseram ir para o parque à frente, mas demoraram tanto tempo a trocar impressões que saímos a correr para não chegarem atrasados ao segundo toque. Cinco meios metros à minha frente sem nenhum medo de cair.
...
Isto é muito estranho para mim, sempre que me distraio, dou por mim a sentir-me bem.
Como se me tivesse bastado a certeza de um fim.
Que me apresentassem as diferentes fases da minha vida já com o data limite de consumo e come-la-ia sempre com apetite voraz. Quais dietas ou narizes torcidos.
Sei que a minha vida não vai ser sempre assim e é isso mesmo que me sossega. Nem o sensato "viver a vida um dia de cada vez" é receita para toda a gente. Sempre soube que as revoluções me seriam benéficas, nem que durassem apenas um ano. Um parêntesis.
Esta ideia de continuidade, do felizes para sempre, atrapalhou-me a vida. Os românticos morreram, quase todos, antes de chegarem aos trinta anos : não têm nada para me ensinar.

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