8.6.10

Tempo para tudo...


Aqui onde moro há várias stay at home mum, mères au foyer, domésticas, mães em casa. Nenhuma foi talhada para tal, há de tudo, ex-advogadas, pintoras em stand by, publicitárias em reciclagem. Todas andamos mais ou menos às aranhas, com mais ou menos a mesma rotina que as nossas bisavós. Só que estas faziam-no mais ou menos com um pé nas costas. Digo eu.
Todas andamos a ver o que é que vamos fazer depois. Todas adoramos os nossos filhos, todas estamos a viver um parentese carreirístico-financeiro. Todas andamos ao mesmo.

E ao final do dia chegam os pais. As mães abrem o seu maior sorriso. Dizem baixinho às outras o pai chegou, agora vou poder ir à minha vida hé! hé! e desaparecem.
E os pais andam felizes da vida de trotinette com os filhos (ok, ontem um dos filhos caíu com esta brincadeira, magou-se e quis entrar em casa imediatamente... para o pé da mãe, que supostamente estava a viver os 15 minutos de vida daquele dia), vão buscar os papagaios de papel, jogam à bola...

De tanto tempo, tanta birra, tanto trabalho, acabamos por entrar na rotina. Não é só o MetroBoulotDodo (transportes, trabalho, dormir) que nos mata. Tudo o que é repetitivo, torna-se cansativo e perde um bocadinho a graça.
Lembro-me que nos primeiros tempos em que deixei de trabalhar andava aos saltos, a pensar que era a pessoa mais felizarda do universo - e era ! E éramos! E somos ...
Mas agora, acho que estou muito além do que podia fazer. Claro que há momento em que me orgulho de mim, as private crazy kids parties, andar de baloiço com eles, fazer castelos de areia, correr, ensinar a fazer coisas que não se aprende na escola e que saiem dos parâmetros da educação dita convencional, o tempo, todo o tempo que temos passado juntos, mas ...
O equilíbrio mora definitivamente em partilhar. Dar um bocado deste meu tempo passado com os meus filhos ao pai.
Alguém aí poderá explicar ao PDG do pai dos meus filhos que ele vai passar a trabalhar a tempo parcial, para que também eu tenha o meu tempo parcial? E que os nossos filhos possam ter o restante tempo parcial dos seus 2 pais ? E não com alguém que está lá só porque é pago para isso ?
Sou só eu que acha que este sistema actual não está a correr como previsto ?

Onde está a utopia de uma sociedade que poderá ser mais realizada a todos os níveis ?
Antes as mães não trabalhavam nada para fora e reprimiam outras vivências, depois começaram a trabalhar todo o dia fora, fingindo que os filhos estavam muito bem sem elas e elas sem os filhos.
Ok, valeu como experiência. Mas não diziam os antigos que no meio é que esta a virtude ?
Cheira-me que não sou a primeira a pensar nesta evidência ... porque é que ainda estamos tão atrasados? Maio 68 foi muito importante, fundamental, mas era suposto termos ficado por aí (ou às vezes fazermos pior e até andamos para trás?)

Bolas, onde é que anda a minha capacidade de síntese, quem vai ter tempo para ler este post inteiro ... ?

12 comentários:

  1. Eu li-o de um fôlego. Não é longo, alors.
    bjs

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  2. Eu li :)
    Li porque às vezes penso que deveria estar em casa com o meu pimpolho. Mas sei também que acabaria por entrar na rotina e sentir-me incompleta. Devia sim existir um meio termo, mas parece-me tão utópico lá chegar...
    Bjs

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  3. Eu li e compreendo-te na perfeição!

    Ainda pensei que por aí na França, houvessem melhores condições para se ser mãe (...e Pai)

    Bom, a parte do Pai partilhar etc.etc. acho, de facto, um pouco utópica. Acho que para já a solução passaria por reduzir o tempo de trabalho das mães, que aumentaria à medida que os pequenos fossem crescendo (desmame). Obviamente sempre a ser paga na totalidade :) Afinal, depois do trabalho/emprego, a mãe vem para casa trabalhar mais ainda e por vezes mais arduamente.

    O teu Sonho

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  4. Eu li e percebo-te bem. Eu trabalho a meio tempo e gosto tanto de trabalhar que me é difícil ver o cenário mudar. Mas acho que vai mudar brevemente, pelo menos um pouco.
    Beijinhos grandes. Nem sempre comento mas leio-te sempre e gosto muito:))

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  5. Digo-te, com experiencia que tive nos poucos 4 meses de licença d maternidade metida em casa com o puto, percebi que eu não sou talhada para ser mãe a tempo inteiro... aliás tudo o que seja a tempo inteiro é estanfante, seja a trabalhar, seja a cuidar, a educar, a limpar a casa... a virtude está mesmo no meio termo... por isso percebo bem o teu ponto de vista e é pena nunca haver esse meio termos dam it!

    jocas

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  6. Eu li. Tudinho.
    E percebo e concordo perfeitamente com o teu ponto de vista.
    Quantas vezes imagino que seria melhor mãe se pudesse estar a tempo inteiro com eles.
    Quantas vezes sinto que não encontro o ponto de equilíbrio entre as minhas diversas facetas. o meio-termo. Sempre a sentir que devia ter tempo para tudo com o tempo a escoar-se entre os dedos da minha mão.
    Beijo

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  7. eu estive 2 anos e meio em casa com os meus miúdos. e gostei. estou a trabalhar a tempo inteiro. e gosto.

    o que eu adoraria?? trabalhar a meio-tempo e ter o resto do dia para eles. aí, sim, me sentiria realizada a 100%!

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  8. Pois era precisamente isso que eu gostaria para mim, para o pai e para os filhos. Toda a gente a trabalhar 50% e a 100% de satisfação.
    E como não acredito que seja utopico, vou tentar tratar disso. Se conseguir depois faço posts sobre o assunto... Bom, se não conseguir, acho que também virei fazer posts sobre isso (pode ser pedagogico...).

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  9. De blog em blog vim 'aqui parar'... identifico-me completamente com o que escreveste. Também eu sou mãe a tempo inteiro... não foi uma opção consciente... mas uma série de situações que levaram a isso. Tenho 1 filho... mas garanto-te que vale por 3 ou 4!! ;)
    No meu dia-a-dia também vivo essa ambiguidade de ser bom ter tempo para ele e querer 'ter vida própria'... excelente ideia a tua dos 50/50... cá para os meus 'lados' infelizmente não é viável... mas era de facto interessante até porque acho que os pais ficam sempre com a 'melhor parte' a da brincadeira!
    Se não te importas vou adicionar-te no meu blog para vir 'visitar-te' mais vezes!
    Também estou a viver em França, a 5 km da fronteira com Genebra!!

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  10. olá

    entendo bem, eu sempre trabalhei e deixei de trabalhar para ficar com o meu bebé até ele ter 3 anos (tem agora 19 meses e meio) e é mesmo uma mudança muito, muito grande. e sei que não vai ser fácil depois regressar ao mercado de trabalho:!

    mas se estivesse a trabalhar também me sentiria digamos que culpada, por o meter na creche, porque acho que até aos 3 anos deve ficar com a família.

    mas a rotina é mesmo tramada, qualquer que seja a rotina.

    que idade têm os teus filhos?:)

    bjs*

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  11. eu trabalho. mas quando não estou a trabalhar estou a cuidar dele e também sinto, muitas vezes, que não tenho vida própria. Não sei onde se poderá encontrar o meio termo, realmente.

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