8.1.26

Naperon

Detesto naperons. 

Mesmo os que as minhas avós fizeram e tentaram fazer-me amar. Sobretudo esses, odeio-os. Cheiram-me a submissão feminina, ao ócio que lhes era permitido e imposto e que aprenderam a gostar. Vejo-os como um caso de síndroma de Estocolmo.  Gostar de uma ocupação de tempos livres obrigatória. 

O que mais se podia fazer com o tempo livre se se fosse mulher nos anos cinquenta? Bolos. Nunca tinha pensado nisso, a partir de agora também odeio bolos. Se forem daqueles mesmo bons, feitos com amor e bons ingredientes, pior.  Casas arrumadas e cheirosas. Roupa passada a ferro. Penteados alinhados.  A lista não é muito mais longa, felizmente, o que mais podiam fazer? Arranjos florais? Não os suporto.  

Há num álbum de família uma foto da minha avó materna com uma  daquela espingardas de caça, não sei o nome, mas não faz mal, também não sou uma IA. Matar animais inocentes. Prefiro.


Este tema foi escolhido no gruo Largo, em breve virei aqui colocar links do que vai sendo publicado.